quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Merda pra você!

É agora o famoso 'vai ou fica', eu sabia que precisava decidir. Estou envergonhada e receosa a três dias. As curtinas se abrem, estou no centro do palco, um pleno silêncio até que digo com uma voz absurdamente assimilável, como se explicasse matemática do oitavo ano. Fluiu em tom alto e ecoou.
- Eu não quero mais isso. Eu não quero mais você. E acima de tudo: Eu não quero mais pertencer a você.
Silêncio, a platéia está em choque. Tudo decorado, pré-destinado. Todas as vezes que eu só repetia o que me diziam, que eu respondia como achavam melhor. E então continuo:
- Todo esse plural não cabe mais na minha vida tão particular. E ser atriz não cabe mais a mim.
Procurava uma resposta. Olhando para frente, as luzes dos olofotes não me deixavam enxergar e ao por a mão nos olhos para cubrir a claridade, meus olhos alcançaram uma sombra diferente de todas as outras estáticas... Essa, viva e colorida andando em minha direção. Cortou o silêncio com o barulho das suas palmas. E nesse momento, mesmo que todos se mexessem, mesmo que todos gritassem ao mesmo tempo. Eu só enxergava ele, e vem andando na minha direção, abre os braços para mim com o sorriso mais acolhedor e encantador existente. Pulo no seu colo, misturo meu corpo no seu, eu te vejo, eu te escuto e acima de tudo, eu te sinto. Isso é real.

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